• Veneza saindo de Roma: 3° dia

      Hoje, sábado, é o nosso oitavo dia na Itália e terceiro em Veneza. Veja também como foi o nosso primeiro e segundo dia em Veneza.

      Apesar de cansados, acordamos bem cedo, tomamos um lauto café da manhã e corremos para a Basílica de São Marcos. A fila já estava formada, mas ainda era suportável.

      Se o exterior da Basílica é maravilhoso e imponente, é por dentro que se revela toda a sua beleza. As paredes são todas revestidas por mosaicos maravilhosos e os espaços entres os desenhos foram revestidos por ouro (ou uma tinta dourada?), as cúpulas são verdadeiras obras de arte arquitetônica.


      Lateral da Basílica de São Marcos e Palazzo Ducale à direita

      O piso é interessante, totalmente irregular, não é um chão reto, mas sim cheio de ondulações, muito esquisito. E em algumas salas laterais estão os “tesouros” da basílica, caixas adornadas com centenas de pedras preciosas, taças, cruzes, bastões de ouro, prata, também com muitas pedras preciosas, além das relíquias.

      As relíquias são aquelas utilizadas na Idade Média para explorar a fé do povo, são dentes, línguas, mãos, dedos e outras partes de santos, objetos cultuados e com duvidosos poderes curativos.

      As igrejas com as “melhores relíquias” recebiam mais visitas, peregrinações e, conseqüentemente, mais doações.

      No museu da Basílica estão expostas algumas estátuas, inclusive os cavalos originais que ficavam sobre a entrada principal, pinturas, além de ornamentos e outras relíquias. Alguns também acreditam que se encontra ali os restos mortais do Apóstolo São Marcos.

      Dali fomos ao Palazzo Ducale, as fachadas tanto deste prédio, quanto da Basílica são de tirar o fôlego, mas aqui também é o interior que traz os maiores deslumbramentos. O que mais impressionou foram as pinturas de algumas salas, enormes, preenchendo o teto e as paredes, emolduradas por ouro (?), belíssimas.

      Com a praça e as ruas lotadas de turistas, filas enormes brotando da Torre do Relógio e do Campanário de São Marcos, resolvemos fugir e só voltar à tardinha, quando o movimento começa a esmorecer.

      Pegamos o vaporetto para Lido, uma ilha comprida defronte à ilha principal de Veneza. No percurso notamos um grupo de adolescentes locais com uniformes escolares, extremamente aborrecidos com os turistas, os vaporettos estão sempre lotados e os turistas estão sempre pedindo informações, deve ser difícil morar em Veneza.


      Lido di Venezia - Photo credit: Tim Lucas

      As casas de Lido são muito mais modernas, existem ruas por onde circulam carros, um comércio mais voltado para as necessidades diárias do que para o turismo. Poucos turistas circulavam por ali, acredito que o movimento cresce de noite, devido ao cassino.

      Pode-se alugar bicicletas para passear, mas preferimos andar a pé mesmo.

      Existem muitos restaurantes em Lido, e tal qual à alguns da Via Veneto em Roma, o restaurante com sua cozinha ficam de um lado da calçada, e do outro lado fica uma área coberta com as mesas para se fazer a refeição.

      Comemos uma massa cada e o tradicional vinho para acompanhar, as refeições, que aqui também são mais baratas do que em Veneza, gastamos em torno de Є 25,00.

      Passeamos mais um tempo pelas ruas de Lido, passamos por uma igreja chamada Santa Maria Elisabetta, que possui uma arquitetura belíssima.

      Pegamos o vaporetto para Giudecca, uma ilha com prédios mais no estilo de Veneza mesmo, passeamos um pouco por ali, mas não vimos nada tão impressionante.


      Giudecca - Photo credit: Daniel Daranas

      Os prédios, casas, ruelas e canais são lindos também, mas muito parecido com a própria Veneza.

      Pegamos novamente o transporte e fomos até a Basílica de Santa Maria della Salute, que avistávamos todo dia da mesa do café da manhã. Mais uma linda igreja para se visitar, o seu interior não é tão decorado e nem cheio de mosaicos, mas existem várias capelas laterais, todas muito bonitas.


      Santa Maria della Salute vista da mesa do café da manhã

      Atravessamos o canal pela Ponte dell'Accademia, que diferente das demais, possui estrutura em ferro e piso de madeira, e seguimos pelas ruas de Veneza enquanto o penúltimo dia de nossa viagem ia acabando.

      Já conhecendo os arredores, seguimos para a Praça São Marcos onde sentamos numa mesa de um café para tomar uma última garrafa de vinho e apreciar o anoitecer ao som de uma boa música. A conta foi obscena, mas paga com imensa satisfação pelo prazer que proporcionou.

      Andamos mais um pouco, compramos umas últimas bugigangas, e uma pequena estátua de bronze na loja que mencionei anteriormente.

      Ao chegarmos no hotel, notamos um movimento na área externa do restaurante, fomos checar e nos deparamos com um DJ tocando música eletrônica, mesas e cadeiras plásticas com luzes internas que iam variando de cor, muita gente jovem, mas elegantemente vestidos, alguns de terno.

      Ficamos por ali desfrutando do clima, tomamos um drink e, esgotados, fomos dormir nossa última noite veneziana.

      Indo embora


      De madrugada, já no domingo, acordei com a cama chacoalhando, extremamente cansado, achei que tivesse sido um sonho ruim ou minha esposa “pulando” na cama. Imediatamente apaguei e nem me lembrei mais deste fato.

      Acordamos não muito cedo, já que o avião partia à 15h00, mas como os funcionários do hotel tinham nos prevenido que o translado ao aeroporto era muito demorado, decidimos acordar, tomar o café da manhã, terminar de arrumar as malas e pegar logo o barco.

      O barco que faz a linha para o aeroporto não é o vaporetto, mas sim uma linha especial, por isso, compramos o ticket anteriormente, creio que custou Є 6,00 cada.

      O aeroporto fica no continente, os barcos que fazem este percurso saem a cada hora, porém vão parando em todos os “pontos” (embarcadouros???) possíveis e mais uns tantos.

      No nosso embarcadouro vimos algumas pessoas vestidos com roupas antigas, parece que ia ter uma procissão ou algo assim.

      A viagem ao aeroporto demorou mesmo, mas como pegamos o barco vazio, escolhemos os melhores lugares para ter uma vista de despedida das belas ilhas, até vimos uns lindos barcos a vela que estavam participando de uma regata que eu acho que se chama Volvo Ocean Race.

      Chegamos ao aeroporto e andamos um bom pedaço a pé, ainda bem que com algumas moedas tínhamos colocado as malas em um carrinho, até o carrinho tem que ser pago em Veneza.

      Chegamos ao saguão, identificamos nossa fila, que por sorte estava vazia e estávamos aguardando o início do check-in quando chegou uma espanhola toda estabanada, falando pelos cotovelos, perguntando um monte de coisas, mas não entendíamos nada.

      O marido da espanhola, que muito mais calmo repetiu as perguntas, pudemos então auxiliá-los. Ele explicou que a esposa estava nervosa devido ao terremoto de Bolonha, de onde eles tinham acabado de chegar de trem.

      A gente nem fazia idéia que havia ocorrido um terremoto no norte da Itália, acho que o tremor na cama do hotel foi um reflexo do terremoto que teve o epicentro em Bolonha, onde algumas pessoas morreram, infelizmente. A mulher estava em pânico.

      Bem, fizemos nosso check-in tranquilamente, almoçamos uns pedaços de pizza, demos uma olha no free shop e, para nossa tristeza, era hora de embarcar.

      Fizemos amizade com alguns brasileiros que fariam a mesma conexão em Roma, onde tinha um funcionário da Alitália esperando o nosso desembarque.

      Como tínhamos apenas uma hora entre desembarcar e tomar o avião para o Brasil, este funcionário foi providencial, já que andamos pra caramba no enorme aeroporto de Roma, e se tivéssemos que achar o caminho sozinho, com certeza demoraríamos muito mais.

      E assim acabou nossa viagem, com algumas frustrações, a perda da câmera principalmente, mas com muita coisa linda na memória, e muita vontade de voltar.

      Já estamos juntando grana para a próxima...
      Comments 1 Comment
      1. Avatar de dvfurlan
        dvfurlan -
        Contextualizar o lugar que você está visitando traz outra perspectiva. Quando li sobre essa referência à exploração da fé do povo, lembrei-me de um interessante seriado que bem retrata isso: [I]The pillars of the earth[I], excepcional, em que o padre de uma grandiosa basílica em construção se corrompe ao apresentar um crânio intacto de um santo da antiga igreja incendiada, apenas para garantir a continuidade da obra. Na Basílica de San Marcos, as partes de corpos, apresentadas como relíquias ao lado de metais e pedras preciosas, são marcantes.